quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

sei lá o que isto é...pensamentos

"Olá guardador de rebanhos,
aì à beira da estrada,
que te diz o vento que passa?

Que é vento e que passa,
e que já passou antes,
e que passará depois.
E a ti o que te diz?

Muita coisa mais do que isso,
Fala-me de muitas coisas.
De memórias e de saudades
e de coisas que nunca foram.

Nunca ouviste passar o vento.
O vento só fala do vento.
O que lhe ouviste foi mentira,
e a mentira está em ti." disse Alberto Caeiro ou Fernando Pessoa, um deles não interessa. um louco que admiro porque teve coragem de se dividir, ou melhor, de se agrupar em várias personalidades deixando de se contradizer, passou mostrar os seus muitos...agora fazemos algo parecido, mas dentro do cinismo e da hipocrisia, juntamos tudo e viramos a casaca quando nos é favorável, somos nós à mesma, é algo que pensamos, mas não dentro do habitual eu.o modo como o fazemos é que está errado.

"A raça humana anda sempre a olhar para trás, para o passado, à procura da cauda perdida na evolução. Por isso o homem não olha para o futuro e agarra-se ao que foi (e ao que não foi, mas podia ter sido, ou que gostaria que dele os outros pensassem)." disse Pepetela, não conheço nada além deste trecho, mas gostei...estava perdido numa agenda que me ofereceram este natal.

não acredito totalmente no não olharmos para o futuro, mas vivemos muito em função dos outros, a imagem, somos um ser que necessita de se sentir integrado. somos versáteis e inteligentes para nos adaptarmos a qualquer lugar, mas tem que haver medidas, caso contrário perdemo-nos nos outros, perdemos o nosso eu. Somos hipócritas e falsos e não gosto. Por nos conhecermos a nós mesmos criamos a nossa mesma insegurança.

Alberto Caeiro, gostava do que lia dele, mas não era o meu favorito, via-o como ignorante com prazer na ignorância, na sua vida simples. A mim isso era algo que não conseguia alcançar, agora percebo que era inveja o que tinha...por ele ser diferente...de qualquer modo nunca saberei o que é gostar da ignorância, do pouco saber, de viver cada momento calmamente, ver apenas com os olhos e não ter sede de mais... um dia limpo a mente... (será que o alzeimer não é isso mesmo?eu que vejo a doença com tão maus olhos, ao fim e ao cabo o doente já numa fase avançada não se apercebe que não sabe, nós é que temos pena dele não lembrar) é isso mesmo,lol, tia adoro te, és o meu Alberto Caeiro.

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